Dilma Presidenta - Em nome da verdade

domingo, 4 de abril de 2010

Merval Freud, sem medo de ser ridículo

Tijolaço do Brizola Neto

O Sigmund Freud de O Globo

O Conselho Nacional de Psicologia devia dar um título honorário – ou uma queixa por exercício ilegal da profissão - ao colunista Merval Pereira, por sua coluna deste sábado em O Globo.

Eu, que não sou psicólogo e também não sou aspirante a lorde inglês, dei foi boas risadas.

Vejam que pérolas do "jornalismo":

"Ela (Dilma) chegou a usar 28 vezes o tratamento de "senhor" ao se referir ao presidente Lula em eu discurso de despedida do ministério, o que é um sinal de subserviência não com o papel de candidata à presidência da República"

Como é que se trata o presidente da República numa cerimônia oficial e pública? "Aí, xará"? "Mano"? "Cara"? "Ô, psit"?

Ou ela deveria chama-lo de "Doutor", como Merval e outros chamavam Roberto Marinho, que era tão diplomado quanto Lula?

Mas tem mais:

"Pois ele (Lula) não está escondendo a dificuldade com que está lidando com a perspectiva do fim do poder"

Aí, xará, senti firmeza... Dignóstico legal, profundo, resultado de horas de análise. Qual seria o dignóstico do Dr. Sigmund Merval sobre os arreganhos de Fernando Henrique que, para desespero de José Serra, tenta ser uma voz de oposição – reconheça-se a sua honestidade – a Lula? Merval – não posso chamar de senhor Merval para não ser submisso – deveria ler sobre a "Síndrome do Ninho Vazio", que acomete pais quando os filhos criam asas e se vão, tucaninhos donos de seus próprios bicos.

Mas você pensa que acabou?

"Encarar a alternância de poder como uma derrota é uma maneira de querer continuar no poder eternamente (...)"

Uai, um presidente, um governador, um prefeito é vitorioso se a oposição ganha a eleição? Não é derrota? Pode não ser o fim do mundo, pode não ser o desastre que, neste caso, é... Mas que é derrota, é! Nada a ver com não aceitar o resultado, a manifestação do eleitor. Mas achar que perder eleição é vitória e não derrota, é caso de ir pro divã ou, então, para o palanque do adversário.

"O presidente Lula está parecendo até aqueles funcionários que não querem se aposentar, mesmo que a lei os obrigue a isso"

Pronto, aí está a terapêutica mervalina para o futuro ex-presidente: ir jogar truco em São Bernardo. Mas não vai dar certo, truco é jogo gritado, se passa a mão no queixo para marcar o Rei barbudo e se manda o Zap (quatro de paus, obrigado) na testa...

Melhor não, Dr. Merval. O senhor, como psicólogo, deveria saber que a ociosidade é má conselheira. Lula vai ter muito trabalho ajudando Dilma a enfrentar os colunistas que querem descartar o Lula, porque acham que a Dama é fraca no truco e perderá para os valetes de Serra.

"Se Dilma vencer, vai querer tutelá-la. Se vencer Serra, Lula vai comandar uma oposição ferrenha contra aquele que o tirou do poder."

Ué, "aquele que o tirou do poder"? Não era aposentadoria, não era "vitória da alternância de poder"?

Lula não vai comandar "uma oposição ferrenha". Nem vai exercer tutela. Isso é vício de quem só enxerga as relações humanas como de "chefe" e subordinado. Coisa de quem não tem causa, da qual todos somos servos, e não há posição de maior altivez do que ser servo de idéias. Fica quilômetros acima da de ser lorde na corte dos poderosos.

Mas é natural que se pense assim. Quem se formou no ambiente da subserviência ao poder não consegue ver senão a ambição como motor do comportamento humano.

Freud, o verdadeiro, explica.

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