Dilma Presidenta - Em nome da verdade

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Estadão chamou Lula de quadrúpede

por Luiz Carlos Azenha

Em minhas longas viagens rumo à periferia de São Paulo, dentro de um carro de reportagem, em geral sirvo-me dos jornais lidos pelas equipes de gravação. Normalmente há sempre um cópia do Agora ou dos jornaizinhos distribuídos de graça nos sinaleiros (é assim que se diz em Bauru). Hoje, porém, comprei o Estadão, jornal que sempre foi muito respeitado em casa, pela consistência ideológica: foi, é e sempre será um jornal reacionário.

Ao ler o editorial “A Noruega tropical de Lula”, no entanto, fui pego de surpresa. Muito bem escrito, com bons argumentos e até mesmo algumas pitadas de ironia e sarcasmo, características que o jornal chupou da imprensa britânica e que seriam muito benvindas em página tão austera, que leva o solene título de “Notas e Informações”.

Lá pelas tantas, no entanto, o jornal chama o presidente da República de quadrúpede (escolha você o que se encaixa melhor, se mula, jumento, cavalo, besta, jegue, burro ou muar): “Mas a megalomania se livra dos arreios quando, para justificar o seu intento de fazer pelos latino-americanos, caribenhos e africanos o que se vangloria de ter feito pelos brasileiros, Lula não deixa por menos: “Não podemos ser uma ilha de prosperidade cercada por um mar de pobreza e injustiça social”.”

Acho que o texto diz mais sobre o Estadão do que sobre Lula.

Do ódio de classe da elite brasileira em relação ao presidente da República já temos exemplos muito mais descarados. Quem se der ao trabalho de ler os jornais diariamente terá farto material para estudar este fenômeno explícito de preconceito.

A elite que se expressa através dos jornais, que os alimenta e através deles se retroalimenta, sempre acreditou ter o monopólio do idealismo (são os únicos que pensam no Brasil sem considerar primeiro seus próprios interesses políticos ou econômicos), do discurso (até que surgisse a internet, um paredão inabalável se erguia diante dos leitores) e da educação (eram, de fato, os únicos que tinham acesso à educação superior).

Era possível entender, portanto, que decidissem escrever um script para encaixar o sindicalista que se tornou presidente: tosco, intelectualmente limitado, grosseiro, à imagem e semelhança do penetra que não sabe se comportar na festa. A alguém assim, recomendava a etiqueta do andar de cima, se dedicava o desprezo das piadas sussuradas, quando muito.

Quando um jornal gasta tempo e miolos na elaborada tarefa de taxar de quadrúpede um penetra meramente desprezível, é indício de que ele fez muito mais do que arrombar a festa.

sábado, 26 de junho de 2010

Globo tem mais audiência, mas “share” da emissora cai de 75% para 67% em SP

por Luiz Carlos Azenha

Os números preliminares do Ibope para a Grande São Paulo indicam um aumento na audiência tanto para a Globo quanto para a Bandeirantes em relação ao jogo anterior do Brasil na Costa do Mundo, domingo passado.

Na estreia do Brasil, a Globo cravou 45 pontos, contra 10 da Band. O número foi bem inferior ao da estreia do Brasil na Copa de 2006, na Alemanha, quando a Globo tinha exclusividade. Naquela ocasião, no jogo Brasil 1 x Croácia 0, a Globo marcou 66 pontos.

No segundo jogo do Brasil na África do Sul, contra a Costa do Marfim, a Globo marcou 41 pontos, contra 10 da Band. O jogo aconteceu em um domingo. A explicação de quem é do ramo para essa queda de audiência é de que havia um número menor de TVs ligadas, já que no domingo mais gente se reuniu para ver os jogos coletivamente, em casa ou em bares.

No terceiro jogo, entre Brasil e Portugal, os números preliminares indicam que a Globo obteve 44 pontos de média, contra 13 da Band. Ou seja, em relação ao jogo anterior, as duas emissoras obtiveram índices superiores de audiência. Tudo indica que os números consolidados vão indicar que a Band bateu seu recorde de audiência, mas também que a Globo teve um número maior de telespectadores em relação ao jogo anterior, apesar da campanha batizada de Dia Sem Globo lançada por usuários do twitter. Ou seja, se o objetivo era reduzir a audiência bruta da Globo, a campanha fracassou.

O consolo para os tuiteiros pode se encontrar no “share” da TV Globo, ou seja, na porcentagem de sintonizados na Globo sobre o número total de televisores ligados. O “share” da Globo no primeiro jogo foi de 75%, caiu para 72% no segundo jogo e, pelos números preliminares desta sexta-feira, foi de 67%. Por sua vez, o “share” da Band passou de 16% no primeiro jogo para 17% no segundo e para 20% na partida contra Portugal.

É preciso acrescentar, no entanto, que os números de Brasil vs. Portugal são preliminares e que se referem apenas à medição automática do Ibope na Grande São Paulo.

domingo, 20 de junho de 2010

O sinistro sequestro de leitores do blog "Os amigos do Presidente Lula"

Por Os Amigos do Presidente Lula com a dica do amigo leitor Joanni:

A turma serrista está querendo obstruir as pessoas de lerem nosso blog, sequestrando leitores do PIG para um falso endereço.

Vejam só o jogo ardiloso, o monitoramento que estão fazendo da gente, e a que limite chegaram:

Tudo começa com o TSE noticiando o endereço do blog errado, às 15:30 do dia 17/06/2010:

O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou mais uma ação cautelar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo para que a Google Brasil Internet retire do ar sítio hospedado pela empresa que promove propaganda eleitoral antecipada em favor da pré-candidata à presidência da República Dilma Rousseff. Desta vez o blog questionado é o amigosdopresientelula.blogspot.com.

Observem que além de informarem o endereço antigo em vez de osamigosdopresidentelula.blogspot.com, erraram ao escrever a palavra presiDente, sem a letra "D". O endereço antigo não seria problema, pois há uma mensagem para redirecionar para o novo.

Depois, o Globo publicou a notícia repetindo o erro da omissão da letra "D", o Estadão e o Correio Braziliente também, e diversos outros veículos de imprensa.

Quem lesse a notícia e tentasse acessar copiando o endereço noticiado, cairia em um página de erro, com um aviso de "não existe", perceberia o erro ortográfico, corrigiriam e acessariam a página correta.

Mas imediatamente, na noite do dia 17, criaram um blog vazio com o endereço errado noticiado: amigosdopresientelula.blogspot.com


Apenas para que, quem tentasse acessar o endereço noticiado, pensasse que o blog estaria desativado.

A autoria desse blog vazio está identificada como sendo de um Gerente de Tecnologia da Informação e Segurança da empresa "Máquina da Notícia" (Assessoria de Imprensa / Comunicação Corporativa).

A empresa faz os mesmos trabalhos que a empresa de Luiz Lanzeta, e é apresentada como a segunda maior da América Latina no ramo. Exibe sua lista de clientes com dezenas de companhias entre as maiores do Brasil como Ambev, Telefonica, Petrobras, Vale, e muitas outras, além de entidades como a FIESP, e o Instituto Endeavor, criado pelos donos do Grupo Garantia (donos da Ambev) e que tem Verônica Serra (filha de José Serra), em seu time. Até aí são coincidências.

Mas, no dia 30 de maio de 2010, na coluna de Claudio Humberto, saiu essa notinha:

Assédio rejeitado

As empresas Máquina da Notícia e CDN se propuseram a substituir Marcio Aith em sua assessoria, mas José Serra não abre mão dele.

Ou seja, a empresa de comunicação é uma das que está trabalhando na campanha de José Serra e, ao que tudo indica, a equipe alocada na campanha de Serra está monitorando cada passo da gente, a ponto de criar um blog "pirata" para impedir que leitores do PIG acessem a gente.

Uma curiosidade irresistível: o "S" sinistro do título no blog "pirata", por acaso seria a inicial de quem a gente está pensando?

Blog é um espaço de manifestação do pensamento e do exercício da liberdade de informação

Por Amigos do Presidente Lula:

Talvez o Ministério Público Eleitoral, por desconhecer como funciona a blogosfera, comete o preconceito de julgar blogs políticos de cidadãos como se fossem apenas recursos de marketing, sob a hierarquia de partidos políticos. Não são, na grande maioria.

A blogosfera surgiu do fenômeno da popularização da internet, com serviços gratuítos acessíveis a qualquer um, quando as pessoas resolveram arregaçar as mangas e interagir no processo de democratização da informação, furando o monopólio da grande imprensa, detentora dos meios de comunicação de massa. Os cidadãos passaram a produzir conteúdo informativo e opinativo compartilhado, em contraponto à informação filtrada pela imprensa corporativa.

Muitos blogueiros independentes, sem vínculo com empresas de comunicação, criaram seus próprios blogs, por conta própria, em geral em provedores gratuitos como o blogspot, e depois também o wordpress, além de outros menos conhecidos.

Esses blogs políticos, em geral, tem posição política bem definida, alguns blogueiros tem filiação partidária, outros não, mas regra geral, editam seus blogs independentes de orientação partidária, movidos por ideologia e convicção, tanto que o conteúdo do blog costuma ser diferente dos sítios dos partidos.

O que existe de fato na blogosfera, é uma espécie de batalha campal ideológica, que é uma extensão dos debates ideológicos existentes na sociedade.

De um lado os blogs de direita e de extrema-direita da imprensa corporativa, junto com independentes, contra blogueiros progressistas de esquerda renomados, junto a blogueiros independentes, pessoas físicas, cidadãos.

Essa batalha de opiniões e de informações não pode ser confundida com propaganda, nem partidária, nem eleitoral. É debate político, é exercício político de cidadania de pessoas politizadas, que não podem ser privadas do direito de opinarem e terem posicionamento sobre o cenário político, onde inclui a conjuntura das eleições.

Esse tipo de blogueiro, em geral, não é candidato, não age como funcionário de partido, não age como funcionário de comunicação governamental, e nem trabalha para agências de publicidade de marqueteiros políticos, para que sua produção intelectual no blog seja considerada propaganda.

A lei 9.504/97 que trata de propaganda eleitoral, sempre se refere à candidatos, a partidos, à veículos de mídia (rádio, tvs, jornais, revistas, portais de internet), a pessoas jurídicas. Não proíbe a manifestação política por cidadãos independentes destes veículos e órgãos, de iniciativa individual ou coletiva.

Por isso é difícil entender como blogs informativos e opinativos de cidadãos, pessoas físicas, exercendo sua liberdade de expressar pensamento, podem ser enquadrados como propaganda partidária ou eleitoral na lei 9.504/97. Assim como seria difícil caracterizar como comício, algum cidadão discutir política em algum lugar público com amigos, e outras pessoas se ajuntarem interessadas em ouvi-lo ou debater.

Por outro lado, a Constituição Federal diz:

TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; [*]

XVI – todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente;

CAPÍTULO V
DA COMUNICAÇÃO SOCIAL

Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

§ 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.

§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.

Ora, um blog é um espaço de manifestação do pensamento, e de exercício da liberdade de informação. É também um espaço de reunião pública, virtual, da comunidade de comentaristas e leitores. Por isso o conteúdo de um blog é um direito constitucional que deve ser respeitado.

Além disso, um blog político como o nosso e outros da blogosfera, é hospedado no “blogspot”, um sistema gratuíto, que não é um portal noticioso empresarial. Por isso ele nem sequer tem o poder de fazer propaganda que um blog hospedado em portais como Globo, Uol, Veja, tem. Nestes portais, uma chamada de capa, um “box” para o blog gera tráfego, assim se alguém tivesse que ser enquadrado como propaganda seriam blogs destes portais, mesmo assim seria controverso. Blogueiros independentes sequer tem portais de mídia para gerar tráfego. Quem acessa é porque procura, quer acessar ou ouviu falar e resolveu conferir. É como quem quer ler um livro, e busca na livraria ou biblioteca.

Privacidade não é Anonimato

Muitos blogueiros optam por manter a privacidade, o que não é anonimato. Não porque sejam “clandestinos”, mas porque são pessoas físicas, não são empresas, não estão a serviço de empresas nem de organizações, não tem que envolverem suas vidas privadas, que não são do interesse público de quem lê o blog. Além disso, quem não é blogueiro profissional, e tem patrão, não pode levar para o ambiente de trabalho suas atividades pessoais, não pode ficar atendendo assuntos relacionados ao blog em endereços de trabalho. Por isso não há sentido colocar uma ficha cadastral, com dados pessoais, exposta no blog. O código civil diz que “a vida privada da pessoa natural é inviolável”.

Blogueiros postam de suas casas, ou de notebooks, ou celulares usando conexões em seu nome. Por isso não são anônimos. Os blogueiros estão à disposição da justiça para qualquer esclarecimento. Não estão à disposição é de delinquentes e psicopatas, que se tiverem acesso à informações privadas de oponentes ideológicos, irão assediar, passar trotes, tentar perseguir, fazer ameaças, intimidação, tentar invadir computadores, roubar senhas, provocar danos e prejuízos, e, em alguns casos extremos, podem até ameaçar a integridade física.

Quase todos os blogs tem pelo menos um endereço eletrônico de contato (email), que está à disposição tanto de leitores, como da própria justiça. Não há razão para o Ministério Público Eleitoral e a Justiça Eleitoral alegar anonimato, sem antes entrar em contato, mesmo por email, ou nota pública disponibilizando endereço de resposta, inquirindo os autores, a quem, a princípio, deveriam tratar como cidadãos de boa-fé no exercício de seus direitos fundamentais.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A propaganda enganosa e os mitos da carga tributária

por Artur Henrique, presidente da CUT, em seu blog

Um certo tipo de crítica que se faz à carga tributária brasileira esconde propósitos muito egoístas, apesar da aparência patriótica. É uma campanha que tem até painel eletrônico numa rua da capital paulista – o “impostômetro”(*) de uma associação empresarial – e humorista de televisão se fingindo de frentista de posto para vender gasolina mais barata, “sem imposto”. Algo que os patrocinadores dessas ações querem de verdade, mas tentam ocultar, é a diminuição dos investimentos do Estado em programas sociais ou em políticas de transferência de renda como o Bolsa Família.

Essa conclusão salta aos olhos diante de um levantamento divulgado recentemente pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. Alguns de seus dados contrariam abertamente a mais comum das críticas, a de que o governo federal tem aumentado seus gastos com a folha de pagamento ou com o “inchaço” da máquina.

Em 2002, último ano de FHC, o governo federal gastava 4,8% do PIB (Produto Interno Bruto) com pagamento de pessoal. Em março de 2010, depois da “gastança”, do “aparelhamento” e outras imprudências atribuídas ao governo Lula, a folha de pagamento dos servidores consome… 4,8% do PIB. Houve, sim, aumentos salariais e contratações, essenciais para o processo de recomposição do Estado, mas dentro de uma lógica de acompanhamento da arrecadação e do crescimento da economia. Aliás, esses investimentos também funcionam como motivadores do crescimento econômico.
Por outro lado, os programas de transferência de renda, que em 2002 correspondiam a 6,4% do PIB, em março de 2010 saltaram para 9,1% do PIB, o que representa algo em torno de R$ R$29,6 bilhões de reais. Assim, se a carga tributária fosse simplesmente reduzida, como bradam analistas e empresários, as políticas públicas e sociais estariam entre as mais fortemente atingidas.

Para esses analistas, quando o Estado aplica recursos em programas e projetos para combater a fome, a miséria e diminuir as desigualdades sociais existentes, isso é de política assistencialista. Mas quando o estado fortalece os bancos públicos, garantindo recursos para os investimentos privados a juros subsidiados por toda a sociedade, aí eles aplaudem.

Outro dado do levantamento desfaz a crença de que o atual governo vem sistematicamente aumentando a carga tributária, enquanto o governo anterior – atualmente na oposição e querendo voltar – era mais comedido. Entre 1998 e 2002, período do segundo mandato FHC, marcado por momentos de forte retração da economia, de desemprego e doação do patrimônio público, a carga tributária da União subiu 3,32%. Em sete anos de governo Lula, a quantidade de impostos arrecadados pela União subiu 1,02%. Bem menos, e sem vender ou doar nenhuma empresa pública, ao contrário.

A carga tributária está em torno de 34% do PIB. Mas não se trata de loucura sem paralelo no mundo civilizado, como querem fazer parecer muitos analistas por aí. Essa proporção está na mesma faixa de países como Portugal, Espanha, Inglaterra e Alemanha e muito, muito abaixo de nações com forte estrutura de bem estar social, como Suécia e Dinamarca. Sem os impostos, como investir no papel social do Estado, nas políticas públicas?

O debate correto seria discutir a qualidade dos gastos, as prioridades, o orçamento participativo, e outros instrumentos que garantam que o Estado esteja realmente a serviço da maioria da sociedade.

Para os trabalhadores e trabalhadoras, mais importante que a proporção dos impostos em relação ao PIB, é chamar a atenção para quem é mais penalizado. Segundo estudo do economista Amir Khair, famílias que ganham até 2 salários mínimos pagam quase 49% de sua renda mensal em impostos. Já os mais favorecidos, que ganham acima de 30 salários mínimos por mês, comprometem 26,3% de sua renda com impostos. Muito menos.

Então, o desafio é alterar essa lógica perversa e criar um modelo tributário progressivo: quem ganha mais, paga mais. Quem ganha menos, paga menos. Voltaremos ao assunto.

(*) Falam muito no "impostômetro" mas não na sonegação existente. Segundo o governo, para cada R$ arrecadado, outro R$ é sonegado: clique aqui e veja também o "sonegômetro".

sábado, 12 de junho de 2010

Serra: mais de R$26 milhões em pesquisas para 2010

Replicando o Blog NaMariaNews

Por falar em pesquisas eleitorais, o Governador José Serra está, sim, usando dinheiro público para contratar empresas para prestação de serviços de suporte para implementação de solução de gestão de conhecimento e geoprocessamento, para implantação do Programa de Avaliação pelos Usuários de tudo que se pode imaginar.

Tal nome pomposo, entretanto, esconde outras idéias. O que você vai conhecer agora, é prática iniciada há dois anos pelo Governador José Serra e, claramente, foi fruto de artimanhas de seu Gabinete. Não foram fatos isolados. Nem esporádicos. Até o momento, foram gastos R$26.050.450,00 em preparação de informações para a campanha de 2010.
Pesquisas podem ser feitas a qualquer momento, são legais. Mas deixam de sê-lo quando os resultados, por exemplo, não são divulgados ou não são feitos para vir à público; são ilegais quando os resultados ficam restritos e não resultam em ações ou sequer tentativas de melhorias caso apontem problemas, mas transformam-se em estatísticas positivas numa tortura de números em favor do contratante, especialmente em períodos eleitorais. Pesquisas são ilegais quando não são isentas de interesses próprios; quando o pesquisado é obrigado a responder e colocar mais dados pessoais, além de e-mail e telefone celular. São ilegais quando pegam esses mesmos dados pessoais e os entregam à empresas privadas sem consentimento ou conhecimento do pesquisado. Quem, como eu, esperou pelas respostas e ações durante este tempo todo, mas só o que viu foi um crescimento desesperado de negócios, não pode mais ficar aguardando. Chegou a hora de contar esta história.

Um mailing para chamar de seu

Vamos começar pelo único questionamento público e impresso sobre o tema, do Deputado Rui Falcão (PT-SP) em plenário, publicado em Diário Oficial do dia 6/junho/2009. Disse o Deputado:

(...) Não sei como o Governador tem o cadastro das pessoas que são atendidas no Hospital Nardini. Deve ser pelo funcionamento natural do SUS e ele está mandando cartas, dizendo que o Hospital Nardini é conveniado com o SUS, fala do valor gasto pelo Governo pago com os impostos no atendimento ao paciente por 48,89 reais.O que percebemos aqui: primeiro, a Secretaria Estadual da Saúde tem investido, desde 2007, 2 milhões e 450 mil no Hospital Nardini. Envolvendo todos os gastos, o Nardini custa 5 milhões por mês. Então, o que o Governador do Estado repassa, através da Secretaria da Saúde, não dá para bancar por um mês o Hospital Nardini. E como o Hospital Nardini vem sendo mantido? Vem sendo mantido com os repasses do Governo Federal que, só no mês de março, repassou 1 bilhão, 771 mil e 554 mil para atendimentos ambulatoriais de média e alta complexidade. Então, trata-se de mais um caso de estelionato eleitoral. O Governador, na sua pressa de tentar se credenciar para ser Presidente vendendo a imagem de alguém que cuida da Saúde, apropria-se de investimentos do Governo Federal, aparenta ser do Governo estadual e envia cartas para as pessoas que são atendidas no hospital, fazendo a campanha eleitoral antecipada, como de véspera ele vem fazendo em várias áreas (...)

Só para lembrar, tal hospital era aquele infestado de baratas até na UTI e Serra mandou que o prefeito as matasse a chineladas, já que eram insetos pertencentes à Prefeitura de Mauá.

A Secretaria da Saúde, em mãos do Sr. Luiz Roberto Barradas Barata, inaugurou a avalanche de geoprocessamentos avaliativos no Estado. O grosso desse filão começou no pregão 21/2007 (Processo 001.0001.004.180/2007 – versão corrigida em DO), em dezembro de 2007, objetivando a contratação de empresa para prestação de serviços de suporte para implementação de solução de gestão de conhecimento e geo-processamento, para implantação do Programa de Satisfação dos Usuários do Sistema Único de Saúde e monitoramento da qualidade da gestão dos serviços prestados a este Sistema, no Estado de São Paulo. A ganhadora foi a Godigital Tecnologia e Participações LTDA. O valor: R$9.400.000,00. Felizmente houve um Termo de Aditamento, a empresa ganhou mais tempo (até 26 de agosto de 2009) e uns trocados de sobra: R$4.700.000,00. Isto significa que a Godigital recebeu por esta pesquisa, a quantia de R$14.100.000,00 – até o momento. Pense: o montante equivale a quase três meses de custos do Hospital Nardini inteiro.
Os usuários do SUS possuem uma ficha com seus dados cadastrais. Pois estes dados pessoais foram entregues de bandeja à Godigital para "consolidar" 27.540.000 de registros, enviar 2 milhões de cartas-pesquisa e depois mais 200 mil cartas assinadas por José Serra, como agradecimento pelas respostas. O cidadão também pode responder pelo site, mas nem tente, leitor curioso: sem o número do código de barras presente na real missiva é impossível. Isto responde ao Deputado Rui Falcão, mas só em parte. Tem muito mais.

Já em 2009, Serra estréia outra tática para os mesmos fins. Ele encomenda à Secretaria de Gestão Pública, em 7 de março, por inexigibilidade de licitação, a contratação de serviços de Pesquisa de Satisfação para obter avaliação de desempenho sob a perspectiva do servidor usuário dos serviços da Área de Saúde pelo sistema IAMSPE (Contrato nº 007/2009 - Processo SGP nº 1971/2008, Parecer Jurídico CJ/SGP nº 32/2009). O “resultado” saiu em 20 de março: a contratada, sem burocracia alguma, foi a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), ao custo de R$ 311.500,00. Por ter sido um contrato de Gabinete, não há edital. Como a validade contratual era de quatro meses a partir da assinatura, os resultados da pasta do Sr. Secretário Sidney Estanislau Beraldo devem estourar a qualquer momento. Alvíssaras! Pena que não veremos nada.

Ao Governador o que é do Povo

No mês seguinte, foi a vez de geoprocessar a Secretaria de Cultura. O Sr. José Serra pediu ao Secretário João Sayad lançar em DO, no dia 24 de abril, o Pregão Eletrônico 008/2009 (Processo SC-0286/2009), do tipo menor preço, objetivando a contratação de Empresa para Prestação de Serviços de Suporte para Implementação de Solução de Gestão de Conhecimento e Geoprocessamento, para Implantação do Programa de Pesquisa de Satisfação dos Usuários dos Equipamentos Culturais desta Secretaria – Sob o Regime de Empreitada por Preço Unitário. A ganhadora anunciada para vasculhar especificamente o ProAC, o Ensino Musical do Estado e o Condephaat foi a Modos Estudos de Mercado LTDA. O valor da pesquisa: R$200.000,00. Tarefas básicas: consolidar o mailing fornecido pela Secretaria, com 42.385 mil (sic) registros; enviar não se sabe quantas cartas assinadas pelo Serra a endereços selecionados no Estado, com 5 perguntas fechadas; agradecer respostas com outra carta assinada pelo Governador – a quantidade é mistério. Interessantíssima essa Modos Estudos. O site é magnífico: há seis links, só dois funcionam, sendo que um deles tem conteúdo pífio e o outro é do "patrocinador", a SABESP. Pesquisas na WEB mostram outras relevâncias da empresa – assim como o DO –, experimente.

A sede de conhecimentos do homem acelera. José Serra, nobre de sentimentos para com o público juvenil, comandou que o ex-Secretário Rogério Amato, da sua Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, executasse no dia 11 de maio, o Pregão Eletrônico 002/2009 (Processo SEADS 101/2009; Contrato 006/2009), para contratação de empresa para desenvolver pesquisa sobre o nível de satisfação dos beneficiários do Programa de Transferência de Renda Ação Jovem no Estado de São Paulo (...), cadastrados no Sistema Pró-Social [por no mínimo 12 meses], ativos do programa, por meio de correspondência domiciliar. Ganhou a Agência Mind Comunicação e Pesquisa S/S LTDA (sem site, mas já venceu antes), por R$171.800,00. A atual Secretária, Deputada Rita de Cássia Trinca Passos (PV), talvez possa se interessar em divulgar publicamente os resultados das cerca de 54.425 cartas enviadas ou, ao menos, o PowerPoint com vinte slides que a Agência Mind deve apresentar juntamente com o relatório final. Sonhar não é proibido, ainda.

Tomado de gosto pela coisa, o Governador Serra foi ao Sr. Chefe de Gabinete da Secretaria de Emprego e Relações do Trabalho (SERT), do Sr. Guiherme Afif Domingos. Em 5 de maio, em caráter excepcional, sai o Pregão Presencial 001/2009 (Processo nº 0104/2009), objetivando a contratação de empresa para prestação de serviços de suporte para implementação de solução de gestão de conhecimento e geoprocessamento, para implantação do Programa de Satisfação dos Usuários, dos programas: Emprega São Paulo, Banco do Povo Paulista, Frente de Trabalho - Programa Emergencial de Auxílio Desemprego, Jovem Cidadão - Meu Primeiro Trabalho, Programa Estadual de Qualificação e Requalificação Profissional e demais programas a serem criados durante a vigência do contrato. Segura com a experiência adquirida na pesquisa Saúde-SUS, a Godigital encaçapou mais um contrato, desta vez por R$1.555.000,00, a durar 365 dias de trabalho insano – prorrogáveis, já que Serra pode inventar qualquer novo projeto a partir do andamento do seu exuberante Programa de Satisfação. Sem dúvida algo que dará respaldo legal ao Governador, pois que ele investigou na fonte os problemas da falta (ou excesso) de empregos no Estado. Talvez você tenha sorte e receba uma das pesquisas em casa, porque Serra mandou a empresa consolidar 1 milhão de registros, enviar 300 mil cartas e agradecer a 45 mil delas pelas respostas. Tenha fé.

Ele tá de olho é na butique dela

Cinco dias após o certame do Trabalho, ocorreu na Secretaria de Habitação, do Sr. Lair Alberto S. Krähenbühl, o Pregão Eletrônico 007/2009/SH (Processo SH-065/01/2009), em 20 de maio, aviso publicado em DO no dia 7 de maio. Adivinha só a proposta? Se você pensou que seria: objetivando a contratação de empresa para prestação de serviços de implementação de solução de gestão do conhecimento e georeferenciamento de Pesquisa de Satisfação dos Beneficiários de Programas Habitacionais do Estado de São Paulo, sob o regime de empreitada por preços unitários – acertou na mosca. Embora até o dia de hoje (4/agosto) não se saiba o resultado, nem qual o seu valor, adianto a você, honorável leitor, um resumo dos desejos do nosso líder governante: em doze meses a ganhadora deverá abordar o universo de 30 mil famílias atendidas em cerca de 250 empreendimentos do SH/CDHU, seja com unidade habitacional ou carta de crédito (de 2007 a 31/7/2009); deverá enviar a elas 30 mil cartas (personalizadas, auto-envelopadas, porte pago, com até 10 questões e assinadas pelo Serra). A empresa que quiser vencer deve utilizar o software MapInfo, banco de dados SQL Server 2005/2008 e demais aplicações deverão ser desenvolvidas em Visual Studio NET 2005/2008. O mais importante: a SH/CDHU fornecerá a base de endereços utilizada para envio de correspondência comercial. Dá vontade de fazer um bolão para apostar na futura contratada. O tempo para fechamento dos dados da CDHU foi em 31 de julho, mas ainda podemos torcer até que saia a homologação em DO; a Secretaria deve estar fervendo para isto, pois sem os dados concluídos, nada de contrato. Será?

Conforme já foi divulgado exaustivamente além dos limites da Via Láctea, nosso Governador José Serra é o maior, se não o gigantesco incentivador de uma educação pública de qualidade fulgurante para todos. Portanto, foi natural que lhe tenha dado na telha participar à Secretaria de Desenvolvimento, do Sr. Geraldo Alckmin, o enlevo de fazer pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS) o Pregão Eletrônico 083/09 (Processo 0543/09), no dia 26 de maio. Qual o objetivo? Ora, para a singela contratação de empresa para prestação de serviços de suporte para implementação de solução de gestão de conhecimento e geoprocessamento para implantação de um programa de satisfação dos Vestibulandos e Alunos das ETEC’s e FATEC’s e monitoramento da qualidade da gestão dos serviços prestados pelo Centro Paula Souza no Estado de São Paulo. Satisfação mesmo foi da empresa MARK - Sistemas de Informações e Informática Ltda-ME, que levou a melhor. É agradável analisar outras vitórias da MARK no Estado, através do Cadastro Pregão – pesquisa vencedor -> Mark Sistemas. Pelo valor de R$1.996.500,00, terá de, entre outras competências, corrigir 20% dos códigos postais errados em seu cadastro, enviar cartas para o mínimo de 90% do mailing fornecido pela CEETEPS, e consolidar 605.000 registros, sendo: 152.000 matriculados nas ETECs e FATECs em 2008; 65.500 vestibulandos de FATECs e 386.000 vestibulandos ETECs incluindo ensino médio, totalizando com outros dados cruzados 800 mil registros. O bacana é que todos que responderem receberão uma cartinha de agradecimento com a firma digital do Serra.

Por acaso você já utilizou algum serviço ligado à Secretaria da Fazenda? Pois fique sabendo que o absoluto José Serra também a pesquisará profundamente, para aferir o grau de satisfação dos usuários externos dos serviços prestados pela SEFAZ. Trata-se de um trabalho com belíssima organização (já feito outras vezes), onde se dividiu o Estado por regiões e cidades, bem como por serviços. Por exemplo, o meu, o teu, o nosso Governador quer envolver 9.700 seres humanos, para enviar 1.000 cartas aos aposentados ou pensionistas, 1.000 cartas para advogados, contadores, contabilistas; 4.200 para os contribuintes do ICMS; 500 para o povão em geral, entre outros escolhidos. Os felizardos ganhadores dos prêmios da Nota Fiscal Paulista, se receberem questionários de 30 perguntas, sentir-se-ão duplamente sorteados e o responderão alegremente. O Pregão Eletrônico NCC 58/2.009 (Processo SF nº 23657-263710/2.009) foi consumado em 23 de julho, porém ainda não apareceu o vencedor em DO. Façam suas apostas.

O feio é belo, o belo é feio: pairemos entre o imundo nevoeiro

O atento leitor acostumado com as tristezas deste blog deve estar se perguntando:
Pô, NaMaria, mas o Serra não cometeu uma geoprocessada na Secretaria de Educação? E eu digo: claro que sim, o Secretário Paulo Renato Costa Souza não poderia ficar fora da festa. Saiu justamente pela Fundação para o Desenvolvimento da Educação, a nossa idolatrada FDE. O negócio foi anunciado em 18 de abril, um sábado. O Pregão Presencial 52/0085/09/05, realizado dia 6 de maio e homologado em 12 de maio, pediu o óbvio ululante: contratação de empresa para prestação de serviços de suporte para implementação de solução de gestão de conhecimento e geoprocessamento, para implantação do Programa de Avaliação pelos Usuários - diretos e indiretos - da rede estadual de ensino de São Paulo e acompanhamento da qualidade da gestão das atividades e serviços a ela inerentes. Outra obviedade foi a vencedora, repare só: a Godigital levou o troféu pela terceira vez.

É um volume de informações imenso, que deve fazer valer os R$5.597.000,00: são 10 milhões de registros consolidados por ano - que nos faz entender que o troço se estenderá além dos 365 dias contratados, como na Saúde-SUS. Daí devem ser enviadas 1 milhão de cartas personalizadas, no mínimo. Todas seguem com um texto cordialmente assinado por José Serra, e um pequeno questionário de múltipla escolha, com 5 questões. Como de praxe, quem responder ganha agradecimento assinado pelo Governador, no limite mínimo de 200 mil cartas/ano.

Agora, pense aí: quais perguntas serão? Que tipo de questão pode avaliar a Educação paulista? Que tipo de texto de apresentação o Serra colocará nas cartas? Não consigo parar de pensar nisto. Então vamos fazer um exercício de suposições.

Vamos supor que no texto da Educação Serra apresente algo parecido com um modelo que se encontra no edital da pesquisa do Trabalho. Ali ele fala que qualidade de atendimento é dos principais objetivos. No SUS, ele fala que investe milhões para que os hospitais sejam da melhor qualidade, e por aí vai. Qual teria sido uma grande ação executada em favor da qualidade do nosso sistema público educacional? Só pode ter sido algo que apareceu na mídia com entusiasmo: o abono aos professores, a tal de Bonificação por Resultados. Mas, para começar, a coisa não é nova. Mário Covas inventou o esquema em 2001, talvez até se lembrem o que ele mesmo disse à época: (...) uma picaretagem aí, para dar para os professores um abono de R$750 a R$3.000. Serra refez a mesma picaretagem, assim os salários não são reajustados como deveriam ser, mas segue enganando e dando um sossega-leão na turba. Pois é, então vamos supor que seja este o grande passo qualitativo e ele o colocará no texto das cartas-pesquisa da Educação - porque simplesmente não há nenhum outro melhorzinho.

Depois as questões em si. Mamma mia, perguntar o quê? Creio que devam ser coisas relativas ao abono, por exemplo: se depois do abono os professores faltaram menos na escola; se crê ser importante abonar o quadro da escola todo... Talvez, veja bem é uma hipótese, seja perguntado quanto o ensino melhorou nos últimos anos, sob o governo de Serra. E as respostas deverão aparecer, dependendo do resultado que se quer, do positivo ao negativo e vice-versa, conforme mandam certas regras de pesquisa. Teremos de esperar para saber a correção ou não destas suposições, já que o Governador, devido à pandemia mortal de gripe dos porquinhos que está matando todo mundo por aqui, mudou a volta às aulas para o dia 17 de agosto. Talvez, então, as pesquisas sejam enviadas a partir do retorno dos alunos. Ou não?

O que eu também fico pensando alto é o seguinte: no modelo do Trabalho aparecem os campos dos dados pessoais. O cidadão deve completar nome, nome da mãe, CPF, nascimento, endereço... a título de apenas para conferência. Mas não é estranho? Se o cidadão já recebeu a carta personalizada, porque seus dados estavam no sistema da(s) Secretaria(s), tais perguntas só podem servir para engrossar o banco de dados, porque é isso que faz o georeferenciamento, entre outras coisas. José Serra quer saber mais. José Serra quer saber tudo. Para quê? E se, vade retro!, ele também pedir o e-mail e celular ou telefone do cidadão para envio de "mais informações"?
Suposições, apenas suposições. Aguardemos.

Se, por acaso, o amável leitor desta casa receber ou souber quem recebeu alguma dessas pesquisas, por gentileza escreva-nos o conteúdo, envie foto etc..
E veremos como serão julgadas tais ações de José Serra pelo Tribunal Eleitoral e outros.

Ler mais: http://namarianews.blogspot.com/2009/08/serra-mais-de-r26-milhoes-em-pesquisas.html#ixzz0qgRhAmvU

terça-feira, 8 de junho de 2010

FHC sofre do “surto de ego colonizado”

Por Altamiro Borges

Em artigo publicado no jornal Zero Hora deste domingo (6), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso confirmou que padece da grave doença do “ego colonizado”. Recalcado, ele voltou à carga contra a política externa do atual governo e – para desgraça do candidato tucano José Serra – insistiu em fazer comparações entre as duas administrações. Atirando em Lula, FHC afirmou que a sua “demagogia presidencial não passa de surto de ego deslumbrado”. A cara está doente!

O motivo de mais esta recaída é a recente negociação entre Brasil-Turquia-Irã. O invejoso critica a “celeuma causada pela tentativa de acordo entre Irã e a comunidade internacional empreendida pelo governo brasileiro”. Ele não entende “porquê de tanto barulho”. Citando algumas vitórias da diplomacia no passado, que o seu triste reinado procurou enterrar junto com a “era Vargas”, FHC tenta se apresentar como um intransigente defensor dos “interesses nacionais e da “paz mundial”.

“Alinhamento automático” com os EUA

O ex-presidente só não explica porque o Itamaraty, durante a sua gestão, acelerou as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca), tratado que tornaria o país uma colônia ianque. Nem porque os embaixadores críticos da sua política de “alinhamento automático com os EUA”, como o atual ministro Samuel Pinheiro Guimarães, foram afastados de seus cargos no Itamaraty. Ou porque seu ministro de Relações Exteriores, Celso Lafer, tirava os sapatinhos nos aeroportos estadunidenses. Ou porque aceitou entregar a base de Alcântara (MA) para o “império do mal”.

Como mostra o historiador Luiz Alberto Moniz Bandeira, no premiado e indispensável livro “As relações perigosas: Brasil-Estados Unidos”, o triste reinado de FHC foi um dos piores da história da diplomacia nacional. O autor relata casos grotescos de subserviência, como o da assinatura do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), que colocava o Brasil como apêndice dos EUA em casos de guerra; o da demissão do embaixador José Maurício Bustani da OPAQ; e até o caso dos “sapatos de Celso Lafer”, como detalhes humilhantes para o Itamaraty.

Repetição da retórica imperial

FHC não tolera o enorme prestigio da política externa do governo Lula. Mas como a mentalidade colonizada é pegajosa, ele repete sempre a mesma retórica imperial dos EUA. Até o blogueiro Josias de Souza, da FSP (Folha Serra Presidente), constatou que FHC reproduziu os argumentos centrais de Hillary Clinton para atacar o acordo Brasil-Turquia-Irã. Para o ex-presidente capacho dos EUA, o acordo não teria qualquer credibilidade. “É isso que o governo americano alega para recusar a intermediação obtida”, afirma servilmente. Ele ainda vai cortar o pulso de inveja!

O ódio da oposição neoliberal-conservadora a atual política externa contamina da cria ao criador. Não é para menos que o candidato José Serra atira no Mercosul e na Bolívia. Ele quer ficar bem na foto com a direita ianque e nativa. Numa entrevista pouco antes do acordo Brasil-Irã, o tucano afirmou que nunca se reuniria com o presidente iraniano. Deve ter mordido a língua na sequência como a repercussão do acordo. Os tucanos realmente padecem do “surto do ego colonizado”.

sábado, 5 de junho de 2010

Os porões da privataria

Por Amaury Ribeiro Jr

Introdução

Quem recebeu e quem pagou propina. Quem enriqueceu na função pública. Quem usou o poder para jogar dinheiro público na ciranda da privataria. Quem obteve perdões escandalosos de bancos públicos. Quem assistiu os parentes movimentarem milhões em paraísos fiscais. Um livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., que trabalhou nas mais importantes redações do País, tornando-se um especialista na investigação de crimes de lavagem do dinheiro, vai descrever os porões da privatização da era FHC. Seus personagens pensaram ou pilotaram o processo de venda das empresas estatais. Ou se aproveitaram do processo. Ribeiro Jr. promete mostrar, além disso, como ter parentes ou amigos no alto tucanato ajudou a construir fortunas. Entre as figuras de destaque da narrativa estão o ex-tesoureiro de campanhas de José Serra e Fernando Henrique Cardoso, Ricardo Sérgio de Oliveira, o próprio Serra e três de seus parentes: a filha Verônica Serra, o genro Alexandre Bourgeois e o primo Gregório Marin Preciado. Todos eles, afirma, têm o que explicar ao Brasil.

Ribeiro Jr. vai detalhar, por exemplo, as ligações perigosas de José Serra com seu clã. A começar por seu primo Gregório Marin Preciado, casado com a prima do ex-governador Vicência Talan Marin. Além de primos, os dois foram sócios. O “Espanhol”, como Marin é conhecido, precisa explicar onde obteve US$3,2 milhões para depositar em contas de uma empresa vinculada a Ricardo Sérgio de Oliveira, homem-forte do Banco do Brasil durante as privatizações dos anos de 1990. E continuará relatando como funcionam as empresas offshores semeadas em paraísos fiscais do Caribe pela filha – e sócia — do ex-governador, Verônica Serra, e por seu genro, Alexandre Bourgeois. Como os dois tiram vantagem das suas operações, como seu dinheiro ingressa no Brasil…

Atrás da máxima “siga o dinheiro!”, Ribeiro Jr perseguiu o caminho de ida e volta dos valores movimentados por políticos e empresários entre o Brasil e os paraísos fiscais do Caribe, mais especificamente as Ilhas Virgens Britânicas, descoberta por Cristóvão Colombo em 1493 e por muitos brasileiros espertos depois disso. Nestas ilhas, uma empresa equivale a uma caixa postal, as contas bancárias ocultam o nome do titular e a população de pessoas jurídicas é maior do que a de pessoas de carne e osso. Não é por acaso que todo dinheiro de origem suspeita busca refúgio nos paraísos fiscais, onde também são purificados os recursos do narcotráfico, do contrabando, do tráfico de mulheres, do terrorismo e da corrupção.

A trajetória do empresário Gregório Marin Preciado, ex-sócio, doador de campanha e primo do candidato do PSDB à Presidência da República, mescla uma atuação no Brasil e no exterior. Ex-integrante do conselho de administração do Banco do Estado de São Paulo (Banespa), então o banco público paulista, nomeado quando Serra era secretário de Planejamento do governo estadual, Preciado obteve uma redução de sua dívida no Banco do Brasil de R$448 milhões(1) para irrisórios R$4,1 milhões. Na época, Ricardo Sérgio de Oliveira era diretor da área internacional do BB e o todo-poderoso articulador das privatizações sob FHC. (Ricardo Sérgio é aquele do “estamos no limite da irresponsabilidade. Se der m…”, o momento Péricles de Atenas do Governo do Farol – PHA)

Ricardo Sérgio também ajudaria o primo de Serra, representante da Iberdrola, da Espanha, a montar o consórcio Guaraniana. Sob influência do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, mesmo sendo Preciado devedor milionário e relapso do BB, o banco também se juntaria ao Guaraniana para disputar e ganhar o leilão de três estatais do setor elétrico(2).

O que é mais inexplicável, segundo o autor, é que o primo de Serra, imerso em dívidas, tenha depositado US$3,2 milhões no exterior por meio da chamada conta Beacon Hill, no banco JP Morgan Chase, em Nova Iorque. É o que revelam documentos inéditos obtidos dos registros da própria Beacon Hill em poder de Ribeiro Jr. E mais importante ainda é que a bolada tenha beneficiado a Franton Interprises. Coincidentemente, a mesma empresa que recebeu depósitos do ex-tesoureiro de Serra e de FHC, Ricardo Sérgio de Oliveira, de seu sócio Ronaldo de Souza e da empresa de ambos, a Consultatun. A Franton, segundo Ribeiro, pertence a Ricardo Sérgio.

A documentação da Beacon Hill levantada pelo repórter investigativo radiografa uma notável movimentação bancária nos Estados Unidos realizada pelo primo supostamente arruinado do ex-governador. Os comprovantes detalham que a dinheirama depositada pelo parente do candidato tucano à Presidência na Franton oscila de US$17 mil (3 de outubro de 2001) até US$375 mil (10 de outubro de 2002). Os lançamentos presentes na base de dados da Beacon Hill se referem a três anos. E indicam que Preciado lidou com enormes somas em dois anos eleitorais – 1998 e 2002 – e em outro pré-eleitoral – 2001. Seu período mais prolífico foi 2002, quando o primo disputou a Presidência contra Lula. A soma depositada bateu em US$1,5 milhão.

O maior depósito do endividado primo de Serra na Beacon Hill, porém, ocorreu em 25 de setembro de 2001. Foi quando destinou à offshore Rigler o montante de US$404 mil. A Rigler, aberta no Uruguai, outro paraíso fiscal, pertenceria ao doleiro carioca Dario Messer, figurinha fácil desse universo de transações subterrâneas. Na operação Sexta-Feira 13, da Polícia Federal, desfechada no ano passado, o Ministério Público Federal apontou Messer como um dos autores do ilusionismo financeiro que movimentou, por intermédio de contas no exterior, US$20 milhões derivados de fraudes praticadas por três empresários em licitações do Ministério da Saúde.

O esquema Beacon Hill enredou vários famosos, dentre eles o banqueiro Daniel Dantas. Investigada no Brasil e nos Estados Unidos, a Beacon Hill foi condenada pela justiça norte-americana, em 2004, por operar contra a lei.

Percorrendo os caminhos e descaminhos dos milhões extraídos do País para passear nos paraísos fiscais, Ribeiro Jr. constatou a prodigalidade com que o círculo mais íntimo dos cardeais tucanos abre empresas nestes édens financeiros sob as palmeiras e o sol do Caribe. Foi assim com Verônica Serra. Sócia do pai na ACP Análise da Conjuntura, firma que funcionava em São Paulo em imóvel de Gregório Preciado, Verônica começou instalando, na Flórida, a empresa Decidir.com.br, em sociedade com Verônica Dantas, irmã e sócia do banqueiro Daniel Dantas, que arrematou várias empresas nos leilões de privatização realizados na era FHC.

Financiada pelo Banco Opportunity, de Dantas, a empresa possui capital de US$5 milhões. Logo se transfere com o nome Decidir International Limited para o escritório do Ctco Building, em Road Town, ilha de Tortola, nas Ilhas Virgens Britânicas. A Decidir do Caribe consegue trazer todo o ervanário para o Brasil ao comprar R$10 milhões em ações da Decidir do Brasil.com.br, que funciona no escritório da própria Verônica Serra, vice-presidente da empresa. Como se percebe, todas as empresas têm o mesmo nome. É o que Ribeiro Jr. apelida de “empresas-camaleão”. No jogo de gato e rato com quem estiver interessado em saber, de fato, o que as empresas representam e praticam é preciso apagar as pegadas. É uma das dissimulações mais corriqueiras detectada na investigação.

Não é outro o estratagema seguido pelo marido de Verônica, o empresário Alexandre Bourgeois. O genro de Serra abre a Iconexa Inc no mesmo escritório do Ctco Building, nas Ilhas Virgens Britânicas, que interna dinheiro no Brasil ao investir R$7,5 milhões em ações da Superbird.com.br que depois muda de nome para Iconexa S.A. Cria também a Vex capital no Ctco Building, enquanto Verônica passa a movimentar a Oltec Management no mesmo paraíso fiscal. “São empresas-ônibus”, na expressão de Ribeiro Jr., ou seja, levam dinheiro de um lado para o outro.

De modo geral, as offshores cumprem o papel de justificar perante ao Banco Central e à Receita Federal a entrada de capital estrangeiro por meio da aquisição de cotas de outras empresas, geralmente de capital fechado, abertas no País. Muitas vezes, as offshores compram ações de empresas brasileiras em operações casadas na Bolsa de Valores. São frequentemente operações simuladas tendo como finalidade única internar dinheiro nas quais os procuradores dessas offshores acabam comprando ações de suas próprias empresas… Em outras ocasiões, a entrada de capital acontecia pelos sucessivos aumentos de capital da empresa brasileira pela sócia cotista no Caribe, maneira de obter do BC a autorização de aporte do capital no Brasil. Um emprego alternativo das offshores é usá-las para adquirir imóveis no País.

Depois de manusear centenas de documentos, Ribeiro Jr. observa que Ricardo Sérgio, o pivô das privatizações – que articulou os consórcios usando o dinheiro do BB e do fundo de previdência dos funcionários do banco, a Previ, “no limite da irresponsabilidade”, conforme foi gravado no famoso “Grampo do BNDES” –, foi o pioneiro nas aventuras caribenhas entre o alto tucanato. Abriu a trilha rumo às offshores e às contas sigilosas da América Central ainda nos anos de 1980. Fundou a offshore Andover, que depositaria dinheiro na Westchester, em São Paulo, que também lhe pertenci

Ribeiro Jr. promete outras revelações. Uma delas diz respeito a um dos maiores empresários brasileiros, suspeito de pagar propina durante o leilão das estatais, o que sempre desmentiu. Agora, porém, existe evidência, também obtida na conta Beacon Hill, do pagamento da US$410 mil por parte da empresa offshore Infinity Trading, pertencente ao empresário, à Franton Interprises, ligada a Ricardo Sérgio.

(1) A dívida de Preciado com o Banco do Brasil foi estimada em US$140 milhões, segundo declarou o próprio devedor. Esta quantia foi convertida em reais tendo-se como base a cotação cambial do período de aproximadamente R$ 3,20 por um dólar.
(2) As empresas arrematadas foram a Coelba, da Bahia, a Cosern, do Rio Grande do Norte, e a Celpe, de Pernambuco.
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