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sexta-feira, 2 de abril de 2010

EU NÃO LEIO o que escrevam jornalistas brasileiros.

Por Caia Fittipaldi

Isso em mim não é (só) alguma espécie de preconceito-decisão. É que não tenho tempo para ler tudo.
Então, só leio o que os internautas não-jornalistas escrevam, pq o que mais me interessa é conhecer o que pensam e como se manifestam as pessoas 'da rua', muito mais do que conhecer o que pensem e/ou escrevam alguns jornalistas, que são treinados para 'pensar sem lado', o que é TOTALMENTE impossível e NUNCA dá certo e, portanto, totalmente NÃO ME INTERESSA nem como utopia-perda-de-tempo.
(Aliás, nesse campo, já começo a me convencer que as pessoas comuns só sonham, mesmo, com escrever COMO os jornalistas! O que é muuuuuuuuuuuito ruim e é prova de que o jornalismo SEMPRE faz mais mal que bem.
Muito melhor seria, em termos de construir a democracia dos muitos, que, ao contrário os jornais, os jornalismos e os jornalistas tivessem interesse em escrever como as pessoas do mundo 'normal'. Teríamos jornais e noticiários nos quais, um dia se ouviriam as imbecilidades dos BBB e do Jornal Nacional e, dia seguinte, ouviríamos vozes CONTRA os BBB, o Jornal Nacional e a Ana Maria Brega e os Jabores etc. Se as vozes CONTRA só dissessem imbecilidades, pelo menos teríamos imbecilidades diferentes em circulação. Já haveria pequena melhoria em relação ao 'jornalismo' que existe hoje no mundo.)
Mas a ficção de que o 'bom' jornalismo seria sem lado tem hoje estatuto de fé -- dentre outros motivos pq é ensinada [essa ficção] como verdade legitimada pelos princípios liberais. E se não é ensinada como verdade alcançada, a deontologia do jornalismo construiu uma catedral teórica pra 'demonstrar' que é verdade alcançável ou, no mínimo, buscável. E se não é alcançável, buscável, então, não é, meeeeeeeeeeeeeeeeesmo! Portanto, o golpe 'jornalístico' está em ensinar que bastaria passar a vida buscando a tal verdade. E não basta.
Essa briga é muito difícil de fazer, porque é briga CONTRA A IDEOLOGIA dita 'jornalística' e é briga que se trava DENTRO da ideologia. Então, é briga muito difícil, dentre outras razões porque obriga(ria) a discutir alguns dos postulados da fé 'jornalística'. E é totalmente impossível discutir fé com os próprios crentes de fés em verdades transcendentes. Então eu não discuto.
A ditadura 'jornalística' -- uma variante da "ditadura dos bons", sempre terrivelmente violenta e mortífera, como a ditadura dos 'éticos', por exemplo, dentre outras -- é, hoje, a mais terrível inimiga da democracia dos muitos.
Pra começo de conversa, porque a ditadura jornalística é ditadura CONTRA os muitos e os vários e os diferentes; e é ditadura a favor de opiniões homogeneizadas. Só que, em vez de chamar a coisa de "opinião homogeneizada", a teoria do jornalismo-empresa ensina que o jornalismo ofereceria a única informação bem investigada e bem confirmada e, portanto, ofereceria a única opinião na qual se deve(ria) e se pode(ria) acreditar. TUDO ISSO é evidentemente puuuuuuuuuuuuuuuuuuura engambelação. Melhor, em matéria de fé, esperar o paraíso e aquelas virgens-lá, ou mil bons maridos apaixonados, conforme o freguês(a).
A homogeneização de vozes e opiniões e de 'éticas' e de 'bondades' e coisa e tal só serve para esterilizar a luta social e as disputas discursivas: dado que só uma opinião é pressuposta bem investigada, e só a opinião pressuposta bem investigada é pressuposta verdadeira...
... toooooooooooooooooooooooooooooodas as opiniões das pessoas-do-mundo-comum são automaticamente desclassificadas, desnaturadas, descartadas e, no limite, CALADAS!
Então... sou contra o jornalismo, os jornalistas e os jornalões. E faço, eu-euzinha, o que me dá na telha, na Internet.
Escrevo isso tudo, só, pra ajudar aí a entenderem o que eu estou pensando. Não espero, absolutamente NÃO, convencer qualquer jornalista-do-jornalismo-de-jornalão e ECA-USP e que-tais.
Tenho a mó esperança de que os jornalistas que se mudem para a internet, acabarão por aprender que, no mundo real, o buraco jornalístico democrático às veras é mais embaixo, mais no fundo ou mais à esquerda. Mais ao centro ou mais à direita, com certeza, isso, não é.

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